arte branding

Proposta de Rebrand para a Sampdoria por Valerio Labaro

5.7.17Andy Santos


Valerio Labaro, designer de Gênova na Itália, produziu fascinante proposta de rebrand para a Sampdoria, clube de futebol da mesma cidade. Como todo projeto tendo esta característica é sempre válido analisar com bastante atenção e refletir. Labaro dá contemporaneidade e melhor percepção ao símbolo-mor da squadra, sem sublimar sua essência.

Conheci a Sampdoria em 1991, acho que como boa parte dos brasileiros. A equipe ganhara naquele ano o scudetto do campeonato italiano, tendo Toninho Cerezo como grande destaque. Mesmo ainda criança, me chamava a atenção o layout da camisa, azul com faixas horizontais brancas, vermelha e preta, com a cruz de São Jorge ao centro.


A singular camisa da Samp vestida por Toninho Cerezo (centro)
Pensara que o escudo fosse a cruz no peito, com o tempo descobri que o verdadeiro emblema da Samp estava na manga esquerda. E foi dos casos mais intrigantes em relação a símbolos esportivos. Tempos e tempos para descobri que silhueta preta é aquela que se sobrepõe às faixas diagonais. Uma abstração? Não! Parece ser uma pessoa com um cachimbo. Bingo!

Na verdade esta figura é o baciccia. No dialeto genovês é a nomenclatura para o típico pescador da região. Um pescador barbudo, cachimbo nos lábios e cabelos ao vento que forma o elemento principal do pavilhão do ex-clube de Cerezo. Tão simples assim e não notei?


O emblema original ao lado do proposto por Valerio Labaro
Falo tudo isso para introduzir o detalhado trabalho de Labaro. Ele mantém a base original do escudo, ângulos retos na parte superior e ogival na inferior, tendo um pouco mais de altura. Fundo gradiente com tons de azul, margem em azul marinho. As faixas possuem o ângulo menos acentuado e suas disposições junto com o fundo se assemelham à camisa, dando maior facilidade na identificação.

A altura maior na base é para acomodar a nova sugestão para figura principal - o baciccia é uma imagem mais clara e imponente, com as cores, cinza, branco e azul marinho. Possui um vistoso cap de marinheiro com a cruz de São Jorge, espessa barba, cabelos menos revoltos e na boca o costumeiro cachimbo. Para elaborar o pescador, Valerio Labaro se inspirou em uma figura mítica - São João Batista, padroeiro de Gênova.



Logo abaixo, se integrando com o baciccia há uma ornamentada faixa com o nome do clube, sequenciado pelo seu ano de fundação. A nomenclatura, assim como fundo, é preenchida em gradiente. A tipografia é sem serifa, com algumas peculiaridades, existindo a convivência de cortes retos e extremidades suaves nos caracteres.

Como falamos sempre aqui, mais um estudo bacana, retocado, mais uma proposta para o mundo do futebol (leia-se dirigentes de clubes) abrirem de vez os olhos e entrarem de vez no século XXI em matéria de identidade visual. E você que lê este texto, que pensa sobre a proposta de rebrand para a Samp e tantos outros trabalhos desse nível que mostramos neste espaço... vale a pena essa mudança ou o tradicionalismo fala mais alto?



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